ACERGS e a gratidão

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foto: Paulo Pampolin

Meu trabalho da faculdade é sobre deficientes visuais, uma condição pela qual sempre me identifiquei. Por ter estudado em uma escola inclusiva, eu tinha colegas deficientes e sempre os vi alegres, mesmo com as adversidades de ter que aprender a vida sem um dos sentidos. Tentei meu colégio e depois de dois meses correndo atrás de uma resposta, meu colégio não permitiu que eu o visitasse para fazer o trabalho, então busquei uma alternativa e achei a ACERGS (Associação de Cegos do Rio Grande do Sul).

Desde o primeiro contato, eles foram muito amigáveis. Todos com quem falei foram muito educados e tinham felicidade na voz, não estavam tentando se livrar da ligação. Conversei com a Grazi e marcamos a visita para segunda. Segunda-feira estávamos lá, eu e a Lica, minha amiga e parceira de trabalho.

Desde a porta de entrada, todos por quem passamos no deram um sorriso, tentaram nos ajudar no trabalho,  nos deram boas vindas e fizeram até graça para nós. Uma senhora, que nem me conhecia me chamou de “florzinha” e não tinha ironia na sua voz, era carinhosa e mesmo sem me ver com os olhos (ela me via à sua maneira), engatou numa conversa de minutos, mas super motivadora, sobre “dizer que tudo está bem, pra de fato ficar bem”.

No saguão dois senhores estavam sentados conversando como se esperassem atendimento, mais tarde descobri que são amigos e estão sempre ali. Eles vão até a associação todos os dias para conversar. Não fazem nenhum curso, não tem nenhuma aula, simplesmente sentam nas cadeiras do saguão e aproveitam a companhia um do outro e dos que passam por ali.  Lá eles encontram os amigos, ao invés de ficar tristes e sozinhos em casa.

A Grazi nos mostrou toda a associação e em toda sala que entramos, todo corredor que dobramos, ganhamos sorrisos, palavras carinhosas e inclusive um convite para dançar. Na associação os associados tem aulas de dança, informática, educação para a vida e braille, além de todo o amparo psicológico e a convivência social.

Passamos pouco mais de uma hora lá, entre videntes (como são chamadas as pessoas que tem a visão completa) e deficientes visuais (os populares cegos – desde a baixa visão até a cegueira total) e aprendi muito mais sobre pessoas. Eles foram muito mais amigáveis e alegres que muitas pessoas que tem tudo na vida. Eles, em momento nenhum, fizeram cara feia e nem mesmo deixaram de conversar ao perceber a nossa aproximação.

Fui embora pensando como a gente acaba deixando de agradecer pelas coisas mais simples, um dia de sol, um abraço surpresa, uma conversa despreocupada. Eu só tenho a agradecer pelo carinho de todos da ACERGS. Agradecer cada sorriso que recebi, cada gargalhada que ouvi e o quanto eles melhoraram meu dia por provar que ainda existem pessoas boas logo ali, virando uma esquina, atravessando uma avenida.

Meu trabalho de pesquisa tá quase pronto graças a vocês.  Meu lado designer vai ficar muito melhor agora, pois vou lembrar de sempre fazer coisas para pessoas, independente da condição, videntes ou não. Vocês me deram várias ideias.

Obrigada por me fazer uma designer mais completa e uma pessoa melhor.

“Que o azedume alheio não te impeça de espalhar doçuras por aí.”

Beijos, Vi.

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