É a despedida


Oi!?
É assim que se começa uma carta como essa? É assim que eu digo que não te espero mais e que me sinto quebrada e aliviada por isso? De qualquer forma é isso que tenho pra te dizer e prefiro escrever de uma vez. Sem meias palavras, nem mensagens nas entrelinhas.

Lembra quando tudo começou? Você me mandou uma cartinha com um versinho pronto e eu, com medo de que fosse só armação sua, não respondi. Só te olhei e virei os olhos em um ato tão eu. Não demorou a chegarem outras cartinhas, todas de versinhos prontos. Quantos garotos não tiraram proveito das descrições de comunidade do Orkut? No dia em que brigamos, foi a primeira cartinha que você realmente escreveu. Era o teu jeito de falar, passado para o papel. Sem rodeios. 

Não se preocupe, embora as cartinhas sejam a melhor lembrança daquele tempo, eu não as tenho mais. Rasquei tudo em um acesso de fúria anos atrás. Queria ao menos ter guardado a última. Para provar que em algum ugar do passado você já valeu a pena. 

A pequena distância que se instalou entre nós me ajudou a tomar coragem e evitar entrar novamente em um ciclo vicioso: Eu decidida a te deixar, te chamou para conversar. Você lança uma conversa qualquer, mente que mudou e me convence a te dar mais uma chance. Eu aceito a proposta, você some e eu decido que não dá mais pra continuar. Patético.

Nós nunca fomos um casal convencional e isso era o que mais me prendia a ti. Nós éramos “o errado que deu carto”, fomos contra a opinião de todos que achavam que não duraríamos. Duramos. Foram 5 anos entre ida e vindas.

Ok, já falei demais e acho que você já entendeu. Provavelmente está furioso com a minha audácia, mas ACABOU! Quero, realmente, que tudo dê certo pra você aí. Eu vou seguir em frente aqui.  Cada um no seu canto. Por favor, não dificulta as coisas. Me deixa aqui quietinha, vai!?

Sinto muito,
              Eu.

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