Replay

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É como se eu estivesse relendo a mesma página de um livro, revendo uma história que já aconteceu. É como se ela ficasse repetindo de novo e de novo e de novo, sem me dar a mínima chance de fugir.

Depois da primeira baixa, demorei alguns meses para me permitir pensar a respeito de tudo o que aconteceu, até que aceitei que não adiantava me fechar para o mundo. A vida é feita de alguns corações partidos e joelhos ralados, acontece. Eu só não esperava que fossem tão frequentes.

Aceitar que feridas fazem parte da vida não quer dizer que eu quero tê-las a todo momento. Como diabos, você chegou até aqui? Eu nem vi quando passou da porta e já está jogado no sofá, como se a casa fosse metade sua e não houvesse nada de anormal nisso.

Você disse que não tinha hora para ir embora e eu não me importei, mas agora que você se foi eu vejo que os dias não são tão interessantes sem você reclamando que a geladeira tá vazia e que o café acabou.

Finais são sempre trágicos, mais para quem fica que para quem parte. Eu tinha esperança que o nosso demorasse mais para chegar, mas você tem mania de me contrariar e logo quando eu tinha me acostumado a dividir a casa, a vida e os planos, você abriu mão do nós para voltar a ser sozinho.

Eu fiquei sem saída. O que me restou foi juntar o que sobrou de mim, improvisar alguns remendos para o que você me levou e esperar que o tempo se encarregue de tirar teu cheiro de todos os cantos por onde você andou.

Afinal esse é o meu destino, ser o refugio que cura as suas feridas, até que estejas pronto a seguir em frente. Sou passagem, nunca chegada. Sou vírgula, nunca ponto final.

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